sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A arte de reciclar vidas



Cada brasileiro produz, em média, 1,5 kg de lixo por dia.
 
"Lixo não. Material reciclável. Não existe lixo. Tudo que a gente joga fora pode ser usado. Só vira lixo porque a gente não separa", diz Maria das Graças Marçal. A mineira de 59 anos, conhecida como dona Geralda, enxerga oportunidade onde a maioria das pessoas só vê sujeira.

Fundadora da Asmare, sigla da Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável, dona Geralda comanda um projeto social que atende 230 catadores em Belo Horizonte (MG). O projeto, que existe há 19 anos, foi premiado pela ONU como uma das mais inovadoras iniciativas de inclusão social e já lhe rendeu diversas homenagens no Brasil e no exterior. A principal foi o Prêmio Unesco, em 1999, na categoria Ciência e Meio Ambiente. Dona Geralda foi pessoalmente recebê-lo em Nova York. Mas o que a Asmare tem de tão especial? Ela se destaca por incentivar a solidariedade. Desde o primeiro estatuto ficou acertado entre os cooperados que o papel-jornal, o material mais valioso para as usinas de reciclagem, seria reservado e vendido no fim do mês para abastecer um fundo coletivo. Com essa renda são pagos o auxílio-moradia e o vale-transporte dos cooperados.  Todo catador de material reciclável da Asmare é estimulado a encontrar lugar para morar com a família e largar vícios adquiridos na indigência, como a dependência de álcool. Lá, todo mundo recebe apoio para melhorar na vida.

Além da reciclagem, a associação ainda incentiva a cultura e a educação, através do projeto Reciclo, mistura de oficina de arte e casa de shows. O lugar recebe até 800 pessoas por dia, de quarta-feira a domingo, com programação cultural que vai desde bandas de rock até grupos de samba de raiz, e oferece cursos de artes plásticas para moradores de rua.

“Antes as pessoas não respeitavam os catadores. Hoje, o catador é um profissional liberal, um cidadão. Para mim, catador é sinônimo de agente ambiental. Sempre cuidei do meio ambiente, mas só fui descobrir isso mais tarde, quando aprendi o que era cidadania”, afirma dona Geralda.

Fonte: Ação / Revista Época / Folha Online

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