sexta-feira, 27 de abril de 2012

População urbana dobrará até 2050, ameaçando sustentabilidade


Cidades ocuparão área adicional equivalente a França, Alemanha e Espanha juntos


Engarrafamento na Rodovia Niterói—Manilha, no sentido Itaboraí
Foto: Marcelo Piu / O Globo
Engarrafamento na Rodovia Niterói—Manilha, no sentido ItaboraíMARCELO PIU / O GLOBO

LONDRES — Nem nas florestas nem nos mares. Está nas cidades o mais urgente desafio socioambiental deste início de século. A urbanização do mundo foi o tema central da conferência Planeta sob Pressão, que acontece em Londres até amanhã e é o último grande evento ambiental global antes da Rio+20. Em apenas duas décadas, as cidades ocuparão uma área adicional de 1,5 milhão de quilômetros quadrados — o equivalente aos territórios de França, Alemanha e Espanha combinados —, segundo estudo divulgado ontem, no segundo dia da conferência.
Números das Nações Unidas mostram que a população mundial deverá chegar a 9 bilhões de habitantes até 2050 (hoje somos 7 bilhões), e que a maior parte se concentrará nos centros urbanos. Além disso, segundo a ONU, as migrações do campo devem aumentar em 1 bilhão de pessoas o contingente das cidades. Com isso, elas abrigarão, até 2050, 6,3 bilhões de pessoas, quase o dobro dos 3,5 bilhões atuais. O desafio, de acordo com os cientistas, é como transformar em área sustentáveis estes locais tão inflados.
Os padrões atuais de ocupação das cidades, segundo Michail Fragkias, especialista da Universidade Estadual do Arizona, geram graves problemas ambientais, colocando a Humanidade em risco. Fragkias lembra que, há um século, existiam menos de 20 cidades em todo o mundo com mais de um milhão de habitantes. Hoje, há 450. E, embora cubram apenas 5% da superfície terrestre, elas são as maiores consumidoras de recursos naturais do planeta.
— A forma como as cidades cresceram desde a Segunda Guerra Mundial não é sustentável nem social nem ambientalmente — criticou Karen Seto, da Universidade de Yale, especialista em crescimento populacional. — O custo ambiental para manter esta expansão é muito alto.
Reengenharia urbana é fundamental
Em todo o mundo, disse a especialista, as pessoas adotaram o modelo ocidental de arquitetura e urbanização, que demanda um alto uso de recursos naturais e, muitas vezes, sequer é adaptado aos climas locais.
Ela admite, no entanto, que não há como evitar a urbanização do planeta, embora seja possível conduzir esta etapa de forma sustentável. O melhor modo de fazê-lo foi um dos tópicos debatidos ontem na conferência, no dia dedicado a buscar soluções para os problemas ambientais que serão abordados na Rio+20, em junho.
Diretor do Projeto Carbono Global, Shobhakar Dhakal afirmou que reformar as cidades e planejar melhor sua expansão são as melhores saídas.
— A reengenharia das cidades é urgente para a sustentabilidade global — ressaltou. — Quanto às novas áreas, há a vantagem de já termos conhecimento, pensamento sustentável e tecnologia para lidar melhor com questões fundamentais como transporte e resíduos.
A questão climática também é essencial, segundo os cientistas
Atualmente, 70% das emissões mundiais de CO2 estão relacionadas às necessidades das áreas urbanas. Em 1990, as emissões de CO2 das cidades eram estimadas em 15 bilhões de toneladas métricas, número que saltou para 25 em 2010. Estima-se que, se nada for feito, a cifra chegará a 36,5 bilhões em 2030.
De acordo com especialistas, as novas áreas urbanas deveriam levar em conta, por exemplo, a adoção de medidas para reduzir o tráfego de automóveis e os congestionamentos, que causam desperdício de combustível, poluição e mais emissões de CO2.
— Nosso foco deve ser no sentido de melhorar a qualidade da urbanização, desde o espaço propriamente dito à infraestrutura, passando por estilo de vida, energia e eficiência — explicou Dhakal.

 http://oglobo.globo.com/rio20/populacao-urbana-dobrara-ate-2050-ameacando-sustentabilidade-4642601#ixzz1t9UCYYQL

Nenhum comentário: