segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Uma ópera com tradução simultânea para cegos

 


As amigas Jucilene Braga, de 28 anos, e Daniela Kovacs, de 29, estão ansiosas. Hoje à noite, pela primeira vez, vão assistir a uma ópera. Mas o espetáculo não será inédito apenas para elas. Será a primeira ópera com descrição e tradução para deficientes visuais no estado de São Paulo.
A ópera italiana Cavalleria Rusticana, criada em 1890 por Pietro Mascagni, será encenada no Theatro São Pedro, na Barra Funda, zona oeste.
As legendas em português serão projetadas acima do palco, mas os deficientes visuais ganham fones de ouvido para ouvir a tradução simultânea do italiano para o português e a descrição de cenas não verbais durante o intervalo dos diálogos.
Os audiodescritores, que são voluntários do Instituto Vivo, ficam em uma cabine e usam o mesmo equipamento da tradução simultânea.
"Sem a audiodescrição, a ópera seria apenas um espetáculo musical, com o som da orquestra e belas vozes. Com o recurso, tenho as mesmas informações de quem enxerga. Algumas cenas são apenas gestuais, como um beijo, um aperto de mão e, às vezes, um gesto faz todo sentido para entender a história. É como se eu visualizasse as cenas", diz Jucilene.
Além do gestual dos personagens, os audiodescritores relatam os detalhes do figurino, do cenário, a entrada ou saída dos atores do palco e outras informações imprescindíveis para entender as sutilezas da trama.
 “Com o fone eu vejo o mesmo que todo mundo”, afirma Daniela.
Os organizadores também planejaram uma estrutura para dar apoio ao deficiente visual, que pode ir com cão-guia, recebe o programa do espetáculo em braile e tem ajuda de monitores. É preciso chegar um pouco antes do início da apresentação para ouvir a sinopse.
Jucilene já assistiu a outras peças com audiodescrição no Teatro Vivo, o único da capital que oferece o sistema.
A partir de agora, todas as óperas encenadas no Theatro São Pedro contarão com o recurso da audiodescrição. E outros projetos com acessibilidade estão em andamento. Para o próximo ano, as peças do Teatro Sérgio Cardoso, na Bela Vista, devem contar com tradução para a linguagem de sinais para deficientes auditivos.

Fonte: O Estado de S.Paulo / Catraca Livre / Jornal da tarde

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