segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A rua dos sonhos



Uma rua onde todos se conhecem, se ajudam e cultivam as árvores das calçadas. Essa rua não existe apenas nos sonhos, ela tem nome e fica num bairro nobre de São Paulo. É a rua Rutília.
Rutília é nome inventado. Uma mistura de outros dois - Ruth e Marília -, filhas do homem que construiu, em 1934, as casinhas art déco nesta estreita via de paralelepípedos.
Estreita, comporta apenas um carro por vez. Eles passam sob a sombra das árvores, que se debruçam sobre a via de 32 sobrados. A espirradeira é a mais florida.
Todas as espécies são cuidadas pelos moradores, que compartilham a beleza com a cidade.
A rua parece viver em outro tempo, bem diferente daquele que rege a metrópole a sua volta. Quem passa por ela, não tem como não admirar.
Por causa de suas árvores, o quarteirão parece estar sempre de bom humor. A colaboração de cada morador criou aos poucos um grande jardim para toda a vizinhança.
E, como numa corrente do bem, essa atmosfera cidadã e acolhedora contamina a todos. Todas as pessoas se cumprimentam, não se vê lixo pelo chão nem fachadas desleixadas. De vez em quando, alguém, sem pressa, varre as folhas na calçada.
Logo na entrada da rua, três vasos coloridos chamam a atenção. Em destaque sobre o muro branco, eles hospedam manacá-da-serra-anão, cróton e gerânio.
Para a escritora Cristina Ramalho, que plantou as mudas, essa é uma forma de dar boas-vindas a quem chega.
"É uma forma simples de oferecer beleza para quem passa", conta ela.
Fonte: Revista Casa Claudia / Planeta Sustentável / Pedal Cultural

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