quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Gerenciamento ou liderança, o que precisamos para virar o jogo?

De fato, qual a real importância de um líder? Imaginemos a seguinte cena: Uma empresa é derrotada pelo mesmo concorrente que lhe causou grandes perdas no passado. Essa organização está ilhada, sem opções de resgate ou negociação com o concorrente. Em um último ato a empresa manda embora seu CEO e traz de volta um antigo funcionário que tem métodos pouco ortodoxos para reanimar o pessoal da empresa. Porém, esse antigo funcionário é um comunicador nato, um dos maiores do século 20, e reverter a situação passa a ser a grande missão deste homem.

"Eu diria a Casa, como disse aqueles que estão conosco neste governo: Não tenho nada a oferecer além de sangue, suor e lágrimas". Winston Churchill.


Essa organização hipotética é o Reino Unido e o CEO reintegrado é ninguém menos que Winston Churchill. Em junho de 1940, a Alemanha nazista expulsa os britânicos da Europa, em uma das piores derrotas das guerras modernas e bem em frente ao litoral da Inglaterra, precisamente em Dunquerque, os Estados Unidos não estavam preparados para ajudar a Grã-Bretanha a se defender e os britânicos estavam sozinhos. Nesse ponto da história entra em cena um homem de 60 anos, sem aparente beleza, porém um exímio artista na arte de motivar pessoas (CHURCHILL, 2005).


Através de discursos brilhantes, trabalho duro e sacrifício, Churchill conseguiu junto com outros colaboradores alinhados com os mesmos ideais, alterar o rumo da guerra. O Reino Unido não caiu perante a Alemanha de Hitler e, em 1945, o mundo foi liberto das garras dos ditadores das potências do Eixo - Itália, Japão e Alemanha, e por consequência tornando Churchill um heroi nacional.


"Os Melhores discursos de Winston Churchill" ilustra como a liderança correta cria vitórias, ao contrário do gerenciamento excessivo que é uma visão dos centrada em métodos. O processo de liderança é caracterizado por: visão estratégica, a voz persuasiva e os resultados tangíveis (CHURCHILL, 2005).


Segundo Covey, "O gerenciamento é uma visão dos métodos. Já a liderança lida com objetivos: quais são as coisas que desejo conseguir". Gerenciar é fazer as coisas do jeito certo. Liderar é fazer as coisas certas.

O gerenciamento é o grau de eficácia necessário para subir mais rápido a escada do sucesso. A liderança determina se a escada está apoiada na parede certa (DRUCKER, 2002).

Para ilustrar a diferença entre os dois conceitos, basta imaginar um grupo de lenhadores a serviço de um fazendeiro, abrindo caminho na floresta com machados. Eles são os melhores em derrubar árvores, solucionando um problema imediato, extraindo madeira e limpando o terreno para plantação ou pecuária do fazendeiro que os contratou.


Os gerenciadores seriam os mestres de obras ou gerentes que seguiriam atrás deles, afiando machados, redigindo manuais, procedimentos, métodos, elaborando programas para o desenvolvimento muscular dos lenhadores, introduzindo tecnologias de produção, inovações para melhorar o processo e adoção de novas ferramentas como a serra elétrica. Os gerenciadores pesquisariam também técnicas para derrubar árvores específicas, além de organizar turnos de descanso e de trabalho dos lenhadores.
Já o líder é aquele que sobe na árvore mais alta, estuda a situação em todo seu conjunto e grita: "Estamos na mata errada!". E como reagiriam os lenhadores e os gerenciadores? Gritariam de volta: "Tolice, nós estamos avançando". Ou seja, na condição de indivíduos, grupos e profissionais, frequentemente, estão todos tão atarefados com o corte das árvores que sequer percebem que estão na mata errada.

Churchill foi um líder, pois apesar dos atuais fatos mostrarem claramente que o Reino Unido seria subjugado pelos nazistas em pouco tempo, ele ousou subir na árvore e gritar que estavam na mata errada, ou seja, apesar da eficiência militar e naval britânica parecer não se equiparar à ofensiva alemã e do seu histórico de suas últimas vitórias, o primeiro ministro entendeu que a situação poderia e deveria ser alterada.


Nas organizações atuais, o ambiente em que trabalhamos e vivemos altera-se rapidamente, o que torna a liderança hoje mais critica do que nunca. Com frequência não conhecemos o estado do terreno à frente, ou o que uma organização precisará trilhar. Tudo vai depender do discernimento de quem manda na organização (sendo líder ou dono). A eficácia e a sobrevivência da empresa não dependem somente do quanto de esforço se faz para bater a meta mensal, e sim se está batendo a meta ou se esforçando no terreno correto COVEY (2004).


No mundo dos negócios, o mercado muda tão rapidamente que produtos e serviços outrora um sucesso, na preferência e na necessidade popular há poucos anos, ficaram atualmente obsoletos. Uma liderança pró-ativa forte precisa monitorar constantemente a mudança no meio social e, particularmente, dos hábitos de compra e impulsos dos consumidores, fornecendo a energia necessária para organização e medir se os recursos estão na direção certa.


São exemplos do que acontece nas empresas: a desregulamentação de um segmento da indústria, custos crescentes na saúde, a quantidade e a qualidade dos carros importados atuam sobre o meio social de diversas formas importantes. Se as organizações não monitorarem o meio social, se incluído aí seu próprio pessoal, e deixarem de exercer uma liderança pautada na criatividade, para seguir o rumo certo, não há gerenciamento eficaz que as impeça de falir. Ou seja, gerenciamento eficaz sem liderança eficaz é, em uma definição clássica, "ajeitar as cadeiras no convés do Titanic". Isto é algo raro, contudo, empresas e indivíduos, frequentemente, são pegos pela armadilha de associar sucesso a gerenciamento COVEY (2004).


Provavelmente o ministro anterior a Churchill (Clement Attlee) era um excelente gestor, com perfil de chefe, um bom administrador em tempos não belicosos, porém, a ocasião da guerra precisava de liderança.

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