quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Soldados da paz

Jovens israelenses que se recusam a servir o exército de seu país defendem o diálogo e fazem campanha para não serem presos

 



“É contra minhas crenças pessoais, é contra meus valores básicos”. Com essas palavras, adolescentes israelenses explicam por que não querem fazer parte do exército de seu país.
Eles se autodenominam shministim (palavra em hebraico que designa os jovens prestes a se formar na escola, fase em que devem se alistar). Por se recusarem a ser soldados, eles vêm sendo mandados para prisões militares, com penas variadas.Por isso, promovem uma campanha mundial por sua liberação, com o apoio da organização “Jewish Voice for Peace”. E é por meio da internet (www.december18th.org) que dão o seu recado, ainda mais forte em meio a um cessar-fogo entre Israel e Hamas, após um conflito em que cerca de 1.200 palestinos foram mortos em Gaza.
“É nossa obrigação, como seres humanos, proteger os direitos dos palestinos e tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. Não poderia participar de uma ação do exército em que inocentes são mortos ou punidos por crimes que não cometeram”, diz Sahar Vardi, 18 anos, que ficou dois meses na prisão militar.
A cada ano, segundo o exército de Israel, 50 mil rapazes e 47 mil garotas de 18 anos estão aptos para o serviço militar. Desses, 80% são aproveitados. Judeus ortodoxos e árabes que têm cidadania israelense não são obrigados a servir. Em 2008, cerca de cem jovens assinaram a carta dos shministim, em que expõem seus principais pontos de vista, recusando-se a servir.“Em um lugar onde há seres humanos há alguém com quem podemos conversar”, dizem, em um dos trechos.
Quem entra no site organizado pelos jovens é convidado a mandar uma carta para o Ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, pedindo que eles sejam liberados da prisão. No dia 18 de dezembro, 22 mil cartas foram, de fato, entregues a Barak. Hoje o número já chega a 40 mil.

Fonte: O Globo

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