sexta-feira, 2 de setembro de 2011

RESSACA (ou VEISALGIA)

A “ressaca” do álcool, ou veisalgia (do norueguês kveis, “mal-estar após devassidão/libertinagem”, e do grego algia, “dor”), parece ser a maneira que nosso organismo tem de nos lembrar sobre os perigos do consumo excessivo de álcool.
A ressaca sempre se associa à intoxicação aguda de álcool; inicia-se cerca de 6 a 8 horas após o consumo (período em que a concentração de álcool no sangue diminui e retorna a zero, em média) e pode durar até 24 h. Ela é caracterizada por efeitos físicos e mentais adversos, com uma variedade de sintomas de “mal-estar”, sendo os mais comuns: dor de cabeça, náuseas, problemas de concentração, boca seca, tontura, desconforto gastrintestinal, cansaço, tremores, falta de apetite, sudorese, sonolência, ansiedade, e irritabilidade. No entanto, há uma variação muito grande desses sintomas (de pessoa para pessoa e de ocasião para ocasião), impossibilitando uma definição exata da ressaca.
Existem várias hipóteses para explicar o aparecimento e a gravidade da ressaca. Além da quantidade de álcool consumida, outros fatores relacionados ao consumo propriamente dito (intervalo de tempo do consumo ou o tipo de bebida) podem influenciar o aparecimento da ressaca. Fatores psicológicos também parecem estar envolvidos, assim como a vulnerabilidade à dependência de álcool (como predisposição genética). Por exemplo, filhos de pais dependentes de álcool, mais vulneráveis à dependência, apresentavam ressacas mais graves do que filhos de não-dependentes, em condições comparáveis de freqüência e quantidade de álcool consumido.
A presença de alguns traços de personalidade em indivíduos com histórico familiar de alcoolismo também tem sido relacionada com a gravidade da ressaca. Tal situação poderia favorecer o consumo de álcool, visto que, somado à vulnerabilidade genética, os indivíduos poderiam consumir mais álcool com o intuito de aliviar a sintomatologia da ressaca. Entretanto, ainda são necessários outros estudos a fim de estabelecer uma relação entre diversos fatores (genéticos e psicossociais), os efeitos do álcool e a ressaca.
Com relação à prevalência da ressaca na população em geral, presume-se que ela seja muito elevada. Alguns estudos mostram que 75% das pessoas que consumiram doses intoxicantes de álcool tiveram ressaca pelo menos uma vez na vida. Enquanto 50% dos bebedores freqüentes (consumo de uma ou duas doses por dia, de acordo com estudo) apresentaram ressaca no último ano, 90% dos estudantes bebedores pesados episódicos (definido pelo estudo como o consumo de 5 ou mais doses em uma única ocasião) haviam sofrido ressaca.
Em geral, as pesquisas sugerem que a ressaca é um fenômeno muito prevalente, mas ainda há poucos estudos epidemiológicos para determinar com mais precisão e, especificamente, a real prevalência da ressaca em populações diferentes.
A ressaca é uma experiência relativamente muito freqüente entre as pessoas que consomem álcool e tem sido associada a um alto custo econômico. Contudo, é difícil separar os efeitos da ressaca dos efeitos do álcool em geral, com relação aos custos econômicos envolvidos.
No trabalho e em ambientes acadêmicos, grande perda econômica associa-se a conseqüências negativas do álcool e da ressaca, como o absenteísmo (falta ao trabalho), baixa produtividade ou baixo desempenho, maior número de acidentes de trabalho e conflitos interpessoais.
Uma pesquisa nos Estados Unidos, com 2.805 trabalhadores, mostrou que o álcool afeta diretamente cerca de 15% dos trabalhadores.
Mais especificamente, este estudo estimou que, entre os trabalhadores, 9,23% trabalham com ressaca, 1,68% trabalharam sob os efeitos do álcool, 1,83% beberam antes de trabalhar e 7,06% beberam durante o horário de trabalho.
Assim, os custos derivados de trabalhadores que exercem a sua atividade de trabalho enquanto estão de ressaca seriam maiores do que os custos derivados de trabalhadores que bebem durante a jornada de trabalho, trabalham sob a influência de álcool, ou bebem antes do trabalho.
(Fonte: CISA)

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