sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Vôlei no coração da América

 
A partir do dia 16 passado entramos nos 1000 dias que faltam para a Copa do Mundo de 2014 e, em especial, para a nossa Copa do Pantanal. Mas nesta semana outros assuntos ofuscam a Copa. Para começar, as vitórias do Cuiabá e do Luverdense, classificados em suas respectivas séries no Brasileirão de futebol. Tem mais, o Cuiabá ficou em primeiro lugar no grupo com uma goleada no bicampeão amazonense.  Vitória importante também foi a do nosso campeão brasileiro de futebol americano, o Cuiabá Arsenal, buscando o bi. Outro assunto extraordinário para Mato Grosso é o Campeonato Sul-Americano de Vôlei que teve início ontem, aqui em Cuiabá, no centro geodésico da América do Sul. Um evento com transmissão para diversos países e de grande interesse no mundo esportivo pois este é ano de mundial e aqui desfilarão seleções fortes como a da Argentina, Uruguai, Venezuela, além, é claro, da melhor seleção do mundo que é a brasileira.
Mais que o caráter esportivo, um evento como esse tem outras dimensões. Vale como marketing para a cidade e para o estado, em especial para o turismo. Nesse sentido seria demais pensar que as seleções tenham sido convidadas a visitar o centro geodésico, deixando cada qual sua foto oficial naquele local mágico marcado por Rondon? Mas um evento esportivo desse porte tem também um caráter sócio-educativo ao expor a juventude ao salutar contato ao vivo com atletas de alto nível, também jovens e já celebridades mundiais, que têm no trabalho e na dedicação, na saúde e no preparo físico suas condições de sucesso.

Os grandes eventos esportivos incendeiam o imaginário dos jovens passando a mensagem positiva de que a saúde e o trabalho também fazem sucesso e é um caminho possível.  E muitos são “desviados” para o bom caminho. Que seria de milhões de nossos jovens sem os exemplos de sucesso de atletas brasileiros por este mundo afora?
Que bom ter ido a um supermercado em Cuiabá e lá encontrar de bermuda e bambolê uma figura internacional como o Bernardinho, o maior técnico de vôlei no mundo, acessível a um aperto de mão. Ou o Rodrigão, que se não fosse pela altura passaria despercebido da maioria das pessoas, de tão simples e à vontade que se encontrava no meio das pessoas comuns. Ao jovem fica a idéia de que ele pode ser igual, pois são iguais, de carne e osso e que é só escolher o caminho.
Disseminar o esporte entre a juventude é investir na saúde, na educação, na vida saudável e correta, na qualidade de vida. Cada centavo bem investido no esporte economiza milhares de reais na manutenção de presídios, centros de recuperação e remédios. Daí a importância de um ginásio como o Aecim Tocantins, que em seus 4 anos de existência já trouxe para Mato Grosso jogos da Liga Mundial e de Copas América de Vôlei masculino e feminino, Copa América de Basquete feminino, Campeonato Panamericano de Karatê e permitiu que Cuiabá ano passado tivesse um time na Superliga Nacional de Vôlei. De lambuja, ainda recebeu jogos avulsos das seleções nacionais de vôlei e futebol de salão, grandiosos shows e eventos diversos.

O problema não é a dimensão do ginásio, como alguns alegam, assim como não será na futura Arena Pantanal. Ao contrário, suas dimensões é que atrairão outras competições como este Campeonato Sul-Americano de Vôlei. Resta entendê-los e posicioná-los adequadamente como parte superior de um sistema sócio-educativo estadual, envolvendo toda a estrutura educacional pública e privada, multiplicando escolinhas e competições em rede por todo o estado. Potencialmente o Aecim Tocantins e a futura Arena Pantanal são poderosos instrumentos na criação de novas gerações sadias de mato-grossenses.  Bem-vindo o Sul-Americano de Vôlei!

José Antonio Lemos dos Santos é arquiteto, urbanista e professor universitário
 
 
FONTE: http://www.turmadoepa.com.br/leitura/show/id/363 

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