terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pressão Y


Segundo um estudo coordenado pela consultoria Hay Group, cerca de 20% dos jovens que trabalham em grandes empresas brasileiras já ocupam cargos de liderança. E estima-se que até 2014, a Geração Y ocupará quase metade dos postos no mercado de trabalho. Mas será que esses jovens estão sendo pressionados para ingressarem no mercado de trabalho cada vez mais cedo ou eles estão assumindo o comando por vontade própria?

QUESTÃO DE MÚLTIPLA ESCOLHA
A discussão parece ser longa, mas é importante observarmos que essa pode ser uma realidade mais intensa no Brasil e em outros países em crescimento. Na opinião de Marcio Svartman, consultor e psicólogo, isso pode ser resultado da economia de um país em aquecimento que carrega anos de atraso social. “Sendo assim, o jovem que vê uma economia oferecendo oportunidades sente-se impelido a entrar logo no mercado de trabalho. Isto é, obviamente, potencializado por uma estrutura muito competitiva, onde todos vivem a sensação de que precisam chegar na frente”, avalia.
Aliado a esse fator econômico, podemos acrescentar o papel importante que a tecnologia exerce na vida dessa nova geração. “Na época do bit e do byte, essas coisas se misturam um pouco, pois trabalho e lazer se superpõem. Você pode estar jogando um game e desenvolver um aplicativo para esse jogo ao mesmo tempo. Por isso, os jovens de hoje têm uma iniciativa empreendedora mais cedo”, palpita Eline Kullock, consultora e especialista em Geração y.

EMPREENDEDORISMO NA VEIA
A combinação entre lazer e trabalho parece ser a receita que tem levado tantos jovens a buscarem uma atividade de destaque tão cedo. No caso de João Pedro Motta, por exemplo, parece ter sido assim. Mais conhecido como @OficialJoao, no Twitter, ele ainda está no ensino médio, mas estuda programação desde os dez anos de idade, cria seus produtos desde os 12 anos, já fez ferramentas para o Orkut, entre muitas outras coisas. Ele conta que tudo começou por hobby e que não se contentava em ser apenas mais um usuário. “Comecei porque eu tinha um interesse pessoal em ser aquele cara que conhecia o que tinha por trás dos sistemas. Depois de um tempo, consegui fazer com que me pagassem para fazer as coisas que mais amo”, explica.
Aos 25 anos de idade, Marco Gomes, criador da boo-box (primeira empresa brasileira de tecnologia de publicidade em mídias sociais) divide seu tempo entre o escritório, as reuniões de negócios, viagens com a noiva e as aulas de Parkour. “Faço o que eu gosto como meio de vida, logo, não é tão necessário separar a vida profissional da pessoal. Acho que isso é uma característica da geração Y. Na maior parte do tempo, eu faço o que eu tenho que fazer, e na outra parte faço aquilo que quero, gosto e preciso. Tudo o que faço é em busca de fazer o melhor”.
“É fundamental entendermos que a vida não é sempre uma ascensão sem limites” (Marcio Svartman)
PRESSÃO AUTO IMPOSTA
Mas, afinal de contas, será que ceder a essa pressão e ingressar logo no mercado de trabalho não nos torna mais paranoicos? Segundo Marcio, é preciso ter cuidado, mas não se pode generalizar. “A pressão maior vem de dentro de cada um. Pode ter gente que cobrará resultados excepcionais, mas isto só se torna pressão se aceitarmos que esta cobrança faz sentido e passarmos a acreditar que temos de gerar aqueles resultados”, explica Marcio.
Apesar da pouca idade e da grande responsabilidade, tanto João como Marco não se arrependem de nada. “Claro que se eu falar que tenho uma vida social igual às das outras pessoas da minha idade, estaria mentindo. Mas acredito que mais para frente, todo mundo será cobrado para ser o melhor”, conclui João. “Hoje percebo que cada minuto que trabalhei nos últimos anos valeu o esforço”, diz Marco.
Tudo bem que sentir uma pressão que nos empurra para buscar o sucesso é bom, mas não devemos deixar que ela seja maior do que a capacidade de aceitar que algumas coisas levam um tempo para acontecer, certo?


FONTE: http://resultson.com.br/destaques/pressao-y/

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