sexta-feira, 8 de julho de 2011

Pesquisa: em cada 10, 6 conhecem mulher vítima de violência doméstica

Entre cada dez brasileiros seis conhecem alguma mulher que já sofreu ou sofre violência doméstica. O assunto foi alvo da pesquisa patrocinada pelo Instituto Avon, em parceria com o Ibope. As respostas de 1.800 pessoas de 70 municípios das cinco regiões do País revelaram ainda que 27% das mulheres entrevistadas sofreram algum tipo de violência dentro de casa. Em contrapartida, 15% dos homens que responderam confessaram ter praticado violência contra suas mulheres.

 
Essa pesquisa, feita em janeiro de 2011, revela um avanço em relação aos números obtidos no levantamento de 2009 sobre o mesmo assunto. Segundo Jacira Melo, presidente do Instituto Patrícia Galvão, também parceira na pesquisa Avon/ Ibope, os números mostram que a percepção da violência contra a mulher avança na sociedade brasileira:


--- Hoje 62% da população já reconhecem a violência psicológica como uma forma de violência doméstica, diz Jacira.
“59% declaram conhecer casos de agressão contra mulheres e 63% afirmam ter tomado alguma atitude -- disse ela.

Romper o silêncio, no caso da violência contra a mulher, é o grande desafio, conforme revela a pesquisa. Para obter respostas mais claras e objetivas, os entrevistadores aplicaram a técnica das respostas anônimas:



--- Evitou-se qualquer inibição, influência ou respostas padrão --- explicou Fátima Pacheco Jordão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão, outro parceiro na pesquisa. Durante o lançamento dos resultados da pesquisa, Andrea Jung, presidente mundial da Avon, anunciou a doação de US$ 60 mil para o Instituto Maria da Penha, que leva o nome da cearense que deu nome à lei nacional de enfrentamento da violência contra a mulher. A doação faz parte do Fundo Global Avon Believe World Tour, criado em 2011, que coloca US$ 2 milhões à disposição de organizações que trabalham contra a violência doméstica contra a mulher. Abaixo, os números da pesquisa, na íntegra:


• 80% dos homens e mulheres entendem como violência doméstica os diversos tipos de agressão física sofridos pela mulher – a começar pelo empurrão.


• 62% relacionam violência a ameaças, ciúme, falta de respeito, agressões verbais, humilhação


• 6% das respostas incluem violência moral – como calúnia, difamação, injúria


• 6% se reportam à violência sexual – desde o estupro até a obrigação do sexo contra a vontade da mulher


• 65% das mulheres e 53% dos homens entrevistados declararam conhecer alguma mulher que já sofreu agressão


• Desse contingente 63% responderam que tomaram alguma atitude diante da agressão presenciada


• Das mulheres tomaram a dianteira como forma de ajudar: 44% conversaram com as vítimas da agressão; 28% aconselharam a buscar ajuda policial ou jurídica


• Entre os 37% que não tomaram qualquer atitude a principal justificativa dos homens (28%) e das mulheres (13%) foi de que não deveriam interferir.






Entre os 1.800 entrevistados da pesquisa 11% das mulheres e 20% dos homens acreditam que tapinha, empurrão ou mesmo xingamento não mereçam punição judicial


• 8% das mulheres e 18% dos homens entrevistados não acreditam que xingar regularmente a mulher mereça punição judicial.






Sobre a Lei Maria da Penha:


• 94% afirmam conhecer a lei, mas apenas 13% dizem conhecer muito bem


• 60% imaginam que, como consequência do acionamento da lei, o agressor irá preso










Para Juliana Belloque, defensora pública do Estado de São Paulo e membro do Cladem –


Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher, está havendo uma mudança cultural forte com relação à violência doméstica contra a mulher desde a aprovação da Lei Maria da Penha:


---- Antes disso, havia uma falta de compreensão mais ampla e um entendimento bastante restrito do que seria violência doméstica, ou seja, somente agressão física. Até mesmo a violência sexual não era interpretada como violência doméstica, pois para muitas mulheres não havia estupro dentro de um casamento -- disse.


BLOG: http://oglobo.globo.com/blogs/razaosocial/

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