terça-feira, 5 de julho de 2011

Pequenas lições de acessibilidade para a sustentabilidade

Na sexta passada e hoje estive em reunião com duas pessoas portadoras de deficiência física. Cada um com suas necessidades, vi de forma muito sutil o quanto a vida deles pode ser melhorada com medidas extremamente simples e que quase sempre passam batidas por nós, pessoas “normais”.

Confesso que a percepção que eu tinha de acessibilidade era mais voltada para questões maiores, de infraestrutura. Portas largas o suficiente para uma cadeira de rodas passar, rampas de acesso em ruas, estádios, ginásios, casas de shows... elevadores que falam os andares, cardápios disponíveis em braile e por aí vai.


Só que nesses oito dias vi que além dessas questões maiores e um tanto quanto óbvias, questões de dia-a-dia são tão importantes quanto e proporcionam além de inclusão, qualidade de vida. Há bastante tempo, mais de dez anos, já ouço falar de softwares que auxiliam deficientes visuais a terem acesso ao mundo digital. E aí pergunto para você: como é a assinatura do seu email, principalmente o corporativo?

Provavelmente é uma imagem, pois programas de email como o Google, sei lá porque, tiram a formatação original. Acontece que esses softwares para deficientes visuais não conseguem ler a imagem. E aí informações simples como o seu telefone e o endereço do seu site ficam inacessíveis a essas pessoas.
Falando em site, como é o seu site? Confesso, com total vergonha, que até pouco tempo o da Agência de 
Sustentabilidade era em flash, ou seja, todo em imagem. Logo, não muito acessível.  Não que agora ele seja o supra sumo da acessibilidade, mas melhorou e muito. Mudei a linguagem antes de me dar conta disso e por outros motivos, mas fica a lição e a pergunta: quantas oportunidades não deixei passar por conta desta “cegueira”? O que me conforta é que neste aspecto, não sou a única, pelo contrário, sou maioria. Mas como uma pessoa que ganha dinheiro com sustentabilidade, não posso aceitar a situação.

Hoje, almoçando com um cadeirante, fomos a um restaurante a quilo. A bancada onde ficavam as comidas era para padrões normais, até baixo. No entanto, não me toquei que para uma pessoa sentada, aquela bancada era alta o suficiente para dificultar que a comida fosse posta no prato sem grande esforço ou sem o risco de que ela fosse derrubada. Com o agravante, neste caso específico, que a pessoa ainda tinha dificuldade em movimentar braços e mãos.

Aí pergunto: por que não colocar uma bancada mais baixa? Não é preciso obra e nem adaptação do lugar. E a resposta não apenas para essa, mas para a maioria das questões que envolvem inclusão de deficientes no país: maturidade e sensibilidade de pessoas “normais”. Não falo de leis, de normas ou certificações. Falo apenas da nossa percepção de que o mundo é muito mais diverso do que imaginamos e que nós precisamos torná-lo mais amigável a todos.

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