sábado, 9 de julho de 2011

Países podem maquiar metas para cumprir Protocolo de Kyoto, diz cientista

Em 1997, o Protocolo de Kyoto se tornou um marco histórico. Foi a primeira vez que 37 nações industrializadas se comprometeram a reduzir suas emissões de gases de efeitos estufa (GEEs) — a queda seria de no mínimo 5% em relação a 1990, até 2012 . Mesmo que os países apresentem metas cumpridas, isso não é motivo para rojões, de acordo com o cientista alemão Matthias Jonas, que analisa pesquisas científicas de emissões de GEEs para o Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA).
Especialista em pesquisas de ciência ambiental há 20 anos, Jonas afirma que os países devem apresentar o relatório de emissões com erros de cálculo que podem variar entre 5% a 10% do total emitido. O problema é que os maiores cortes prometidos na época (pela União Européia, então composta por somente 15 países) foram de 8%. “A incerteza com que os países reportam dados relacionados às suas metas de Kyoto são maiores do que suas metas de redução”, explica Jonas. Ou seja, mesmo que um país apresente uma redução condizente com a meta, a margem de erro do relatório que ele apresentará é tão elástica, que pode ser que a nação, na verdade, tenha passado muito longe de cumprir o feito.






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Os inventários de GEEs (sejam globais, nacionais ou de empresas) não são exatos devido à falta de informação ou de técnicas para processá-las. Só para o cálculo de CO2, seriam necessários mais cinco anos de desenvolvimento tecnológico para chegar a uma precisão adequada, estima Jonas. Sob a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas, os países europeus signatários do Protocolo são obrigados a publicar inventários anuais ou periódicos das emissões de GEEs junto com uma margem de erro em seus cálculos. Analisando esses inventários, Jonas obteve algumas de suas conclusões. O estudo dessas “taxas de incerteza” é importante para aprimorar a maneira como os inventários são apresentados.
A situação se complica mais ainda porque as margens de erro podem ser calculadas com seis técnicas diferentes pelos países. “Os países poderão apresentar margens de erro maiores [com diferentes cálculos] para se adequarem às metas do Protocolo de Kyoto”, diz Jonas.
Imagine dois países que precisam reduzir suas emissões. Um país “honesto”, que admite não ter batido suas metas, pode apresentar uma margem de erro inferior do que outra nação que diz ter cumprido o prometido, mas tem uma cota de “incerteza” enorme. Ou seja, o país “malandro” pode estar poluindo muito mais do que o outro, apesar de vestir uma carapuça política e ambientalmente correta. “Pode acontecer essa espécie de greenwash dentro de determinada faixa de incerteza”, afirma o cientista. E sua visão final da história é mais desanimadora ainda. “Os países apresentarão emissões provavelmente bem acima dos objetivos determinados pelo Protocolo. Ninguém estava ciente disso na época de acertar o acordo, apesar dos avisos terem surgido cedo”, diz.


 
FONTE: http://colunas.galileu.globo.com/verdadeinconveniente/2010/08/20/paises-poderao-praticar-greenwash-com-metas-do-protocolo-de-kyoto-segundo-cientista/

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