quarta-feira, 22 de junho de 2011

A violência tomou conta de Cuiabá

          Contam uma história aqui em Cuiabá, que  as pessoas, dormiam com as janelas abertas para receber o vento da noite e frescor da madrugada, que minimizava o sofrimento com  o fim do dia calorento,  e diante de tanta liberdade tínhamos o costume de  não trancar as portas ao sair, apenas colocavam uma cadeira encostada, e saiam um a um  para suas atividades, e ao retornar,  o último  a chegar colocava a tranca na porta, que era um pedaço de madeira, tipo sarrafo, e era fixado de um lado ao outro no suporte da porta pelo lado de dentro, e assim diziam: “a casa esta trancada”.

          E os visitantes ficavam  impressionados com a tranqüilidade do cuiabano, e perguntavam:
          -  como é vocês lidam com os ladrões?

          Os humildes cuiabanos respondiam: não temos nada de valor em nossas casas, e mesmo que tivéssemos já teríamos transformados em valores para serem dados a alguém da família que tivesse mais necessidade.

          A nossa grande professora é a natureza. Ela ensina que a ganância nos faz acumular mais do  que o necessário, e essa desenfreada desumanização e escravização da luta pelo vil metal,  têm sua raiz da ambição sem limites.  A profundidade do entendimento nos passa a clareza e a visão da socialização da produção sem destruição dos valores morais, como: produzir para dar, produzir para emprestar, produzir para trocar e produzir para vender. 

          Hoje, Cuiabá está entre as cidades mais violentas do país, é todo tipo de violência, desde assalto a mão armada até agressão verbal no trânsito, são saidinhas de banco indo até seqüestros e casas são arrombadas, e os moradores são violentados fisicamente e emocionalmente e cabendo aos parentes enterrar os seus mortos por força da banalidade que tomou conta de Cuiabá. Todo dia recebemos notícias de um conhecido ou amigo que tombou sob a mira covarde de um revolver empunhado por  assaltantes. E ficamos impotentes, sem ter como reagir, sem saber qual é o caminho para lutar contra a violência que tomou conta desta cidade que era agradável de viver, cidade da paz e que infelizmente virou a cidade do medo. 

          E aquelas virtudes que são próprias do povo cuiabano, pelo sentido de humildade, caridade, respeito e amor para com o próximo, estão acabando. Diante de tanta violência, todos são colocados na vala comum e as pessoas passam a não ter crédito e reagimos na proporção incitada pelos fatos.

Não dar atenção, não nos perturbar, não reagir de modo antagônico a certas situações que a vida nos impõe, e nesses momentos temos que demonstrar maturidade e equilíbrio emocional, e  sabedoria para sobreviver diante do perigo eminente e escapar da morte.

          Alguns dizem: Cuiabá cresceu!
          Mas a realidade é que Cuiabá mais inchou do que cresceu. 

          Infelizmente recebemos todo tipo pessoas, a cidade não tem portões; a cidade não tem trancas, por ser acolhedora e hospitaleira, recebe uma gama de “Paus de traque” e  “Pequis Ruídos”, estamos importando muita “coisa ruim”, e ainda encontramos os engenheiros de obras prontas, dizendo que antes deles Cuiabá não existia.

          Que grande pretensão! 

          Cuiabá recebeu de forma não planejada, um contingente enorme de pessoas, e junto com elas vieram  todo tipo de problemas. E a escassez de recursos, estourou a capacidade do poder público em disponibilizar para as pessoas carentes os serviços essenciais, como: emprego, moradia, educação, saúde, saneamento, transporte e segurança.

          Cuiabá, bem que podia ter importado pessoas que pudessem trazer potencial para colaborar com o seu desenvolvimento: Doutores, Cientistas, Mestres e Investidores, mas proporcionalmente veio o inverso. 

       
         Como seria bom se os sucessivos prefeitos tivessem desenvolvido programas e planejando a cidade para importar cultura e tecnologia, indústrias e grandes redes do mercado nacional, mas o tempo passou na “janela e só Carolina não viu”. 

          Ignorar a violência nos torna mais frágeis e adotar o  protesto silencioso, talvez seja o maior dos barulhos. O silêncio para aquelas autoridade dotadas de conceitos genéricos e semânticos, será enormemente  insuportável, pois esses administradores que não conseguem meditar,  não consegue encontrar a paz interior e, por fim, não conseguem gostar de si mesmo. Na verdade estamos convivendo com pessoas que nos roubaram a paz, e para as situações cotidianas aparentemente mais triviais, não há remédio simples, pois o remédio está em saber escolher os representantes competentes para as próximas eleições.


Wilson Soares Fuá

Economista Wilson Carlos Fuá - É Especialista em Administração Financeira e Recursos Humanos fuacba@hotmail.com
FONTE: http://www.turmadoepa.com.br/leitura/show/id/185 

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