sexta-feira, 10 de junho de 2011

Teatro de Mato Grosso

Saiba como surgiu, os principais grupos e atores da cena do Estado

Por Paulo Pitaluga e João Carlos Ferreira



Marcos Bergamasco
 

 Início
A história de nosso Estado abundantemente cita festas, fogos, cavalhadas, músicas, recitais de poesia, e principalmente a representação de peças teatrais. O século XVIII é profuso e abundante nesses acontecimentos festivos. O historiador Carlos Francisco Moura nos diz que Mato Grosso foi a Capitania onde o teatro teve a maior importância social e cultural. Suas pesquisas levaram-no à conclusão que em várias fontes de história, de 1727 ao fim do século XVIII, são documentadas nada menos que 80 representações teatrais, enquanto que Galante de Souza registra em todas as demais Capitanias somadas, no mesmo período, 50 representações.


No Mato Grosso do século XVIII havia grandes festas em ocasiões especiais, como a chegada de autoridades coloniais, partidas dos mesmos, júbilos de casamento ou nascimento de membros da família real portuguesa, festejos religiosos, regozijos por términos de batalhas, posses de autoridades, etc. E nessas festividades, cuja memória chegou até nós graças ao zelo e à preocupação com o registro de poucos cronistas que a isso se dedicaram, havia sempre a representação de comédias e tragédias, a par de óperas, danças, fogos e cavalhadas. Era a ingenuidade das manifestações, da alegria da gente mato-grossense no primeiro século da conquista destes sertões.


A história registrou uma representação teatral como parte integrante de uma festa maior em 1763, por ocasião do nascimento do neto de D. José I; outras peças foram levadas em outubro de 1772 com a chegada à Cuiabá de Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, e em dezembro desse mesmo ano, com a sua posse como Capitão General em Vila Bela; em 1785 em festejos na localidade de Casalvasco, outras representações foram levadas.


Ficaram também registradas na história, as festas em homenagem ao Juiz de Fora de Cuiabá, Diogo de Toledo Lara e Ordonhez, que em poucos dias cerca de 17 peças teatrais entre tragédias e comédias. Pelos minuciosos comentários que fez das festividades e das representações, tornou-se Ordonhez o primeiro crítico teatral que se têm notícias no Brasil.
Assessoria/SEC
Em 1796, pela chegada de Caetano Pinto de Miranda Montenegro, foram representadas seis peças teatrais.


Em várias ocasiões, no século XIX, foram registradas interpretações teatrais. Em 1800 com a visita de Caetano Pinto de Miranda Montenegro a Cuiabá; em 1807 foram encenadas várias peças em regozijo à visita a Cuiabá do Capitão General João Carlos Augusto d’Oeynhausen e Gravenberg; Pela restauração de Portugal, em 1809 se encenou peças teatrais em Cuiabá; Em 1845, nas festas de Pentecostes em Cáceres, o naturalista Francis de la Porte Castelnau assiste a teatro cacerense.


Século IXXJoaquim Ferreira Moutinho anota que em 1867 “os cuiabanos manifestavam grande gosto pela arte dramática” e dá notícias da montagem de uma companhia teatral mato-grossense pelo governador Dr. Delamare. A seguir, várias instituições teatrais foram formadas em Cuiabá, sendo em 1887 criada a Sociedade Dramática Amor e Arte. A primeira apresentação profissional em Cuiabá deu-se em 27 de agosto de 1885, com a Companhia Zarzuelas, que veio a Mato Grosso exibir-se no Teatro São João. Em 1893 um tal Joaquim Bartolino Proença funda uma Escola de Arte Dramática.
No século XX as atividades teatrais deveram-se a iniciativa de instituições de ensino, como o Colégio São Gonçalo. O padre José Solari e depois o padre Luís Montuschi, montavam e dirigiam os espetáculos, formados pelos alunos.

Atualidade
Por volta de 1925, Zulmira Canavarros e Franklin Cassiano montaram várias peças teatrais em Cuiabá. Na década de 1940, vários intelectuais e professores, organizaram espetáculos teatrais. Foram eles Alberto Addor, Gervásio Leite, Ana Pinheiro, Leonidas Mendes dentre outros. Todavia há que se ressaltar que, desde o século XVIII, as peças teatrais montadas e exibidas nos festejos mato-grossenses, não foram aqui escritas, salvo honrosas exceções. A interpretação, a arte cênica sempre foi mato-grossense, todavia, as peças eram importadas em sua maioria.
Na década de 1970/80 grupos teatrais conseguiram realizar mostras e circuitos teatrais, e dessa forma divulgar um teatro genuinamente mato-grossense.
Ednilson Aguiar/Secom-MT


Nos anos 1990, ocorreram a série Festival Estadual de Teatro, em que diversos grupos teatrais, de todos os rincões do Estado participaram. Com isso, o teatro mato-grossense pode se interiorizar, levando a arte cênica e a cultura a vários municípios do interior do Estado.
Hoje uma nova geração desponta. Artistas, cenógrafos, teatrólogos, com técnica e arte, recuperam um espaço de há muito perdido e esquecido. A atuação de grupos teatrais somente vem enriquecer ainda mais não só o teatro, mas a cultura mato-grossense como um todo.
É inegável afirmar-se que a vanguarda do teatro em Cuiabá nas décadas 1980/90 foi representada por Amaury Tangará e por Glorinha Albuês, que sem espaço cultural, sem apoio financeiro, sem recursos técnicos maiores, conseguiram levar em frente o teatro que um dia foi o mais importante de todas as Capitanias no século XVIII. 


As artes cênicas em Mato Grosso, está se difundindo aos moldes do crescimento econômico do Estado, ou seja, de forma rápida. Desta forma temos um número expressivo de grupos de artistas que se juntam para expressar sua arte nos mais variados rincões de Mato Grosso. Em seguida oferecemos alguns nomes de grupo teatrais em território mato-grossense, a saber: Grupo Acto - de Brasnorte; Atores em Metamorfoses - de Tangará da Serra; Confraria dos Atores, de Cuiabá, Grupo Gavião Real de Curvelândia; Grupo Contracena de Sinop; Palcos e Quintais, de Reserva do Cabaçal, Cia. Faces de Teatro de Primavera do Leste; Cia Teatral Espirits, de Juína, Cia teatral ART’S de Colniza; Grupo Ogan de Campo Novo do Parecis; Cia. Faces de Teatro de Primavera do Leste; Grupo Revelação de Campo Novo dos Parecis; Grupo Téspis de Cuiabá; Cia. Teatro em Cena de Cuiabá; Cia D´Artes, de Cuiabá-Chapada dos Guimarães, CIA. Trama do Drama de Tangará da Serra; Grupo de Teatro NÓ, de Nova Olímpia; Grupo Fênix de Terra Nova do Norte; Grupo UNEMAT de Sinop; Grupo CAD de Sinop; Grupo Uriel de Cuiabá; Grupo Acto - de Brasnorte; Atores em Metamorfoses - de  Tangará da Serra, Fênix, de Terra Nova do Norte, dentre outros.  
Segundo Maria Rita Ferreira Uemura, pesquisadora da cultura cuiabana, o teatro mato-grossense passou por grandes transformações e está melhorando “... com abertura de novos espaços e apoio, tanto do governo quanto da iniciativa privada, vindo fortalecer o segmento cultural em nosso Estado”. Maria Rita aponta vários grupos teatrais, tanto na capital quanto no interior “... uma nova geração, com uma visão diferenciada, que consegue criar novos formatos e rever o fazer teatral”.
Destacam-se, segundo a pesquisadora os grupos de teatro:


Grupo Fúria
Teatro Experimental de Alta Floresta
Grupo Raio de Luz
CIA Thereza João


FONTE: http://www.mteseusmunicipios.com.br/NG/conteudo.php?sid=263&cid=835

Nenhum comentário: