segunda-feira, 6 de junho de 2011

Entulho sem destino se transforma em casa nova


A construção civil é a maior geradora de lixo das grandes cidades. Em Fortaleza, são descartadas até mil toneladas de entulho todos os dias. Por aqui, já tem usina de reciclagem, mas boa parte do material fica estocado por não ter quem aproveite

Maior fonte geradora de lixo das grandes cidades, o setor da construção civil ainda não tem solução ecologicamente correta para a montanha de entulho que gera. Cerca de 70% do lixo gerado nas metrópoles vem da construção civil. Em Fortaleza, são mil toneladas de entulho de construção descartadas todos os dias. 


Para reciclar tudo isso, a cidade conta com apenas uma usina de reciclagem, desde 1997, com capacidade de produzir até mil metros de tijolos ecológicos e blocos monolíticos por mês, mas que tem estocados 500 mil toneladas de entulho, porque não tem quem use o material reciclado.

“Esse material aí dá para pavimentar o estado do Ceará todinho”, exemplifica o presidente da usina de reciclagem Usifort Fortaleza, Marcos Kaiser. Do entulho reciclado podem ser gerados vários tipos de pedra e concreto para asfalto. Ainda segundo Kaiser, seria possível viabilizar toda a demanda de construção de imóveis “sem tirar um grão de areia da natureza”.

“Mas não temos construtoras que utilizem nosso material. Engenheiros também têm dificuldade em construir com material reciclado. Ainda há muita desinformação”, justifica o proprietário da usina. E emenda: “Quem compra também quer botar o preço lá embaixo, por ser material reciclado, desestimulando os negócios”.

De acordo com o presidente da Usifort, além do benefício ambiental, as obras podem ficar até 30% mais baratas com o reaproveitamento do material.

Casa arejada
A utilização de concreto reciclado já teve bons resultados. Uma das primeiras obras da Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor) usou tijolos ecológicos (feito de entulho) nas vinte casas  duplex do conjunto habitacional Anita Garibaldi, entregue em 2006, no valor de R$ 359.486,48. “Os moradores aprovaram. O visual, a coloração do tijolo, o isolamento térmico e acústico foram elogiados”, disse o secretário da Habitafor, Roberto Gomes.
Segundo o secretário, a iniciativa não foi replicada por falta de capacidade da usina, na época, em produzir em larga escala, para conjuntos com mais 80 unidades e também porque a lei obriga fazer licitação. “Mas estamos nos reaproximando da construtora, inclusive porque para futuro queremos reciclar todo lixo gerado pelo Habitafor”, destaca.

fonte: www.opovo.com.br

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