domingo, 26 de junho de 2011

A educação está em crise? Apenas uma pergunta!

Refletir e não pensar em alternativas para resolver, de braços cruzados sem sabermos o que fazer, sozinhos, esperando o aparecimento de um dirigente mais crítico, continuaremos na constante e infindável espera.






Temos assistido em alguns canais de tv. nas últimas semanas, comentários, discussões, pesquisas acompanhados de criticas ao ensino público.
Que coisa batida! Que assunto velho! A culpa do aluno não aprender como deveria, não é culpa só do professor! Por trás de tudo existe a politica educacional mal administrada e, sobretudo a estória de vida familiar do aluno, que já comentei em artigos anteriores e fica agora muito monótono ficar repetindo, como monótono também está este assunto que o aluno não aprende. Que coisa feia é ficar diretor de escola e secretaria de educação discutindo, (quem disse isso ou aquilo!) Que coisa feia! Vocês comunicadores de rádio e televisão ficam remoendo uma coisa que todos já conhecemos.

Falar em crise da educação brasileira a partir de reflexões de gabinete, falar em sistema educacional democrático, falar em necessidade de conscientização e compromisso dos professores, falar em educação popular, falar da falta de condições humanas e materiais e não reivindicar os meios para resolvê-los, é permanecer no nível do falso ou do pouco inteligente!

No isolamento, com poucos esforços ou quase nenhum, dificilmente nós professores conseguiremos mudanças concretas na realidade educacional. No gabinete, com tapetes vermelhos, birô de vidro, cadeira giratória, refletindo sobre o caminho da educação continuaremos em processo crescente de insatisfação e indiferença. Refletir e não pensar em alternativas para resolver, de braços cruzados sem sabermos o que fazer, sozinhos, esperando o aparecimento de um dirigente mais crítico, continuaremos na constante e infindável espera. Contemplando e vendo o que não se quer vê, ou fingindo que não vê, mas nada fazendo, estaremos somente contribuindo para com o processo de reprodução e falência.

A falta de iniciativa do professor, a opressão e a falta de condições parecem ter ofuscado o bom senso. Isto contribui para este estado de coisas. É um professor mal formado e informado para guiar suas ações como docente, aquele sujeito com pouca concepção de mundo e muito pouco compreendido por todos .

Aquele professor para o qual a escola deixou de ser uma instituição com uma função social e política e, por isso mesmo, conscientizadora e transformadora.

Aquele professor que para sobreviver transformou sua docência em "bico", que adota uma atitude indiferente, passiva diante da realidade em crise, sempre esperando das elites politicas um anjo salvador para os tantos problemas na escola e na sala de aula, para indicar que caminho seguir, quando na realidade o x da questão tem uma origem bem antiga. Vejamos só alguns pontos:

1) No sistema operacional falho e mal estruturado do governo.
2) Nas leis de ensino sem base filosófica e sociológica.
3) Nos projetos de mestrados e doutorados dissertados nas secretarias de educação, querendo que os professores formem alunos ideais fora da realidade social.
4) Ausência de conhecimento da realidade do cotidiano em sala de aula por parte dos assessores estudiosos das secretarias de educação.
5) Ausência de sensibilidade, de maturidade emocional, nas aulas mal planejadas por nós professores e o nosso deficiente fazer educativo.

Eu penso que apesar das dificuldades encontradas no sistema educacional o professor tem que ter compromisso e é isto que ele tem feito sempre, e procurar as competências necessárias para ensinar, não só, a ler e escrever, mas ensinar a falar.
Sim ensinar a falar, a questionar, a reivindicar, que é o papel político do educador. De vez em quando aparece um professor mais corajoso, mais audacioso, que vem a público e diz o que se passa realmente dentro nas escolas do ensino público. Governo que não tem vergonha na cara, de pagar um salário miserável a seus professores, não merece ser chamado de governo democrático. Quanta coisa escondida, quantas palavras sem verdades ditas e prometidas por estes ou alguns políticos, que só pensam nas brechas das instituições falidas para enricar com o dinheiro roubado do povo já tão sofrido!

A verdade é que, na raiz da difícil situação em que se encontra o ensino público brasileiro, estão à falta de um sistema educacional capaz de tratar, de forma realista, os novos professores e os novos alunos que todos os anos chegam as nossas escolas publicas. Em vez de lamentar que esses alunos não sejam o ideal, precisamos nos debruçar sobre esse aluno concreto, real, de verdade, e perguntar: O que ele já sabe? Do que ele é capaz? O que ele pode conseguir?

Os educadores devem, mesmo sem o amparo do Estado, adaptar a escola ás condições reais do nosso aluno. Trabalham com uma arma que pode ser controlada, mas cujo controle tem limites, na relativa autonomia escolar, que é a palavra, que é a formação da consciência, que é a leitura da realidade.

Em confronto com a realidade, o educador pode tentar situar-se, organizar-se, decidir os destinos da educação. Se o professor tem esta preocupação com o social e o político é certo que isto o leva a refletir sobre seu papel na sociedade. Como um ser de práxis, o professor não é um mero espectador da realidade. Ele é o transformador da realidade. E isto constitui a essência de sua vocação ontológica e histórica: sujeito que opera e transforma o mundo. O fundamento para compreensão e transformação dessa realidade, é a liberdade. Libertar-se do medo de existir criativamente. A liberdade não é um dom; é uma conquista. O professor está, pois, na realidade para transforma-la. E ele será, mesmo sem apoio, o sujeito desta transformação.

A liberdade é à base da vida de qualquer homem, e somente quando livre ele atinge a sua plenitude porque somente quando livre é que ele será capaz de criar e recriar, destruir e construir, transformar e retransformar, denunciar, anunciar e comunicar.

Esta busca ele a faz como o sujeito que procura. Admitir que outros façam a busca em seu lugar é admitir a manipulação e, portanto, negar a vocação do professor, de sujeito que é capaz fazer e mudar a história.

Mas existem ainda entre nós educadores os que preferem esconder-se atrás da pseudociência ou da burocracia, para não se posicionar.
Aquele que não toma partido toma partido sim, isto é, toma o partido do mais forte, da dominação, das elites, do poder.

Jean Piaget, entre outros, no livro Sabedoria e ilusões da filosofia (Difel, 1969), argumenta que, para sermos completos haveremos de buscar, na sabedoria da filosofia, subsídios para nossas eternas e complexas questões (liberdade, felicidade, justiça, sentido da vida) e, igualmente, nas ciências, os conhecimentos (inclusive o tecnológico), que dão respostas, ainda que provisórias e recortadas, para nossos problemas de sobrevivência. Coordenar valores (filosofia) e instrumentalizar-se (teórica e praticamente) pelas ciências é fundamental na escola e na vida.
----------------------------------------------------

Nenhum comentário: