sábado, 14 de maio de 2011

Como alimentar um mundo de 9,2 bilhões de pessoas previsto para 2050?



Como alimentar o mundo de forma sustentável, justa e humana, com uma população mundial de 9,2 bilhões de pessoas (população prevista para o ano de 2050)? Artigo referente a tal discussão foi publicado na seção The Green Room (O quarto verde) do site da BBC News, que publica semanalmente artigos de opinião sobre assuntos relativos ao meio ambiente. No artigo de 26 de agosto de 2010, Isobel Tomlinson, da Soil Association, criticou as pesquisas sobre a alimentação mundial que divulgam estatísticas mal interpretadas, as quais levam a crer que para alimentar a população mundial em 2050 a produção de alimentos deverá dobrar até lá.


A Soil Association, no Reino Unido, tem promovido debates para responder a esta pergunta. O interesse da Associação é pensar em como alimentar o mundo em 2050 de uma maneira que não leve ao aumento da obesidade ou outras doenças relativas à alimentação e que garanta que o meio ambiente global esteja protegido e dê fim à fome mundial.
Tomlinson destaca que o atual modelo de alimentação ocidental tem se demonstrado pouco saudável, ao causar inúmeras doenças como diabetes, doenças cardíacas e circulatórias, e por isso a segurança alimentar não deveria ser medida através deste modelo de alimentação. Isobel coloca que a segurança alimentar vem sendo medida através da produção agrícola, e não de fatores como distribuição, acesso ao alimento e possibilidade de pagar por estes, critérios essenciais para que se possa traçar um diagnóstico da situação alimentar. Além disso, as projeções atualmente utilizadas não prevêem a produção alimentícia local, mas são feitas sempre através da afirmação de que os países em desenvolvimento continuarão a importar alimentos. Por último, de acordo com estes cientistas, a problema da insegurança alimentar continuará sem ser resolvido, quando analisado através destes critérios.

Os argumentos que Isobel e a Soil Association colocam são que alguns países podem vir a precisar dobrar a produção de cereais ou carne, de acordo com o crescimento populacional e a alteração do tipo da dieta observado nestes, mas isso não significa que a produção mundial de alimentos precise ser dobrado.
O que a representante da Soil Association coloca é que tudo depende de como são colocados os padrões de alimentação e as fontes de demanda alimentícia. Para responder à pergunta inicial, uma pesquisa recente explorou diferentes cenários de dietas e sistemas agropecuários.

A pesquisa indicou que se mantidos os padrões de consumo alimentar ocidentais, com alto consumo de carne, seria necessária uma combinação de uso massivo da terra, com intensa produção pecuária e intenso uso de terras aráveis, o que levaria a impactos negativos para a vida animal e para habitats naturais, como a floresta amazônica e mata atlântica. Porém, o mesmo estudo mostra que a “agricultura orgânica pode provavelmente alimentar a população mundial de 9,2 bilhões de pessoas em 2050, se dietas relativamente mais modestas forem adotadas” (tradução própria, retirado de BBC News, The Green Room, http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/8946555.stm).

Pesquisas e reflexões como estas são essenciais para que o mundo caminhe para um cenário sustentável por meio da qualidade (de vida, alimentar, do meio ambiente) e não para a quantidade, a qual não inclui a adequada e justa distribuição alimentar.

Fonte: BBC, The Green Room

Fonte da foto: http://jovemceier.blogspot.com/2010/06/agricultura-organica.html.

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